30 de out de 2012

Novidades de Roberta Spindler chegando


Aos fãs de Roberta Spindler, vem novidades por aí. A talentosa autora de Contos de Meigan faz parte do grupo de autores cujos contos integram a antologia Angelus: histórias fantásticas de anjos (capa acima, aliás, linda. Meus parabéns ao capista Dimitri Uziel), publicada pela editora Literata.
A segunda novidade também diz respeito a outra publicação da Roberta; Meu amor é um mito, outro livro de contos publicado pela editora Draco.



Dark Writer



Dark Writer é o pseudônimo. O ou a escritor(a), ninguém conhece, mas seu livro já conseguiu muitos leitores. O projeto consiste na liberação dos capítulos da história no site DarkWriterBr, quem quiser faz o download ou lê online e depois opina sobre o que leu. Não há previsão de publicação do livro, apesar de muita gente torcer positivamente. É realmente um ótimo projeto, para os seguidores no twitter e facebook são liberadas de vez em quando ilustrações relacionadas ao “futuro” livro. Me interessei, estou lendo e começo a divulgar. Quem se interessar, é só dar uma olhadinha no site. Quer ler os capítulos? Clique aqui.

23 de out de 2012

Faults & folies: discovering North & South (Femnista) I

Eu já havia postado algumas traduções artigos de uma webzine chamada Costume Chronicles, de uma blogueira chamada Charity Bishop. Pois bem, a Costume Chronicles agora tem outro nome, Femnista. Lendo os números lançados até agora, descobri vários artigos legais e quero começar a partilhar aqui. O primeiro deles, que aborda Norte e Sul, foi publicado na edição de Maio-Junho de 2011.

Culpas e tolices: descobrindo Norte e Sul (Faults & folies: discovering North & South) Autora (Author): Hannah Kingsley

 Eu adoro ler clássicos, e uma das minhas autoras clássicas favoritas é Jane Austen. Em seus livros, acreditava ter encontrado a perfeição literária: diálogos espirituosos entre os personagens, descrições de cenários e enredos simples, no entanto profundos estão presentes em seus livros. Eu tinha lido quase todo o seu “cânone”, como eu ouvi uma vez chamarem, incluindo suas obras mais populares. Considerava-o como uma espécie de paraíso literário. Até o momento em que eu tropecei na saga de Norte e Sul e meu mundo mudou, por assim dizer.

A primeira vez que conheci a história foi através da minissérie da BBC. O elenco é bom, mostra uma cinematografia bonita e figurinos lindos, assim como uma trilha sonora comovente. Está centrado na Inglaterra industrial, assim como o nome sugere, nas regiões norte e sul. A história mostra o nível dos conflitos sociais e assuntos da classe trabalhadora na Inglaterra da época, ainda assim detalhando o que poderia ser chamada de uma das melhores histórias de amor ficcionais jamais contadas. Não demorou muito para que eu ficasse cativada pela história, Logo após ver a série no Netfix eu comprei uma cópia do DVD e quase imediatamente depois comprei o livro. Após muitas horas gastas em bancos em recantos no campus da minha faculdade, terminei a leitura e continuei maravilhada pela profundidade da qualidade da narração da história encontrada. Em seguida, eu vou tentar explicar claramente sem ser muito específica sobre o enredo, pois eu acho que a história deve ser experimentada (seja no livro ou no filme) com seu maravilhoso senso de mistério intacto.
Nunca pensei que Jane Austen seria desafiada em minha mente como uma das maiores escritoras clássicas da literatura, ainda assim Elizabeth Cleighorn Gaskell, autora de Norte e Sul, talvez tenha mais direito a esse título. Jane Austen disse ter sido criticada em sua própria experiência como autora, dizendo que ela tinha pouco direito de ser uma escritora por causa de sua falta de experiência de vida. Gaskell, por outro lado, casou em um momento de sua vida e teve uma larga experiência de vida. Por exemplo, uma coisa que achei interessante sobre o livro é que a história permite a revelação das perspectivas dos personagens masculino e feminino em diferentes momentos quando é apropriado. Isto é algo que nunca encontrei, ou ao menos não no mesmo nível, na obra de Austen. Isto traz uma nova dimensão ao romance típico do século XIX e dá ao leitor um vislumbre maior de como era a vida durante essa época. Um exemplo disso é demonstrado no estilo de vida dos trabalhadores do moinho, e aprendemos como greves afetavam os donos das usinas de algodão e seus empregados.
A experiência de vida mais ampla de Gaskell talvez tenha sido o fator que tenha permitido ao seu livro explorar um terreno social mais amplo, da extrema pobreza aos aristocratas orgulhosos. Gaskell transporta o leitor para um mundo em ritmo acelerado e lutas lentas, onde todos se esforçam por um motivo ou outro. Geralmente isso aparece na forma de funcionários confrontados pelos patrões ou novos pensamentos marcados contra tradição. Nós percebemos o senso de humanidade partilhada por todos e as relações entre as pessoas. Ao contrário de Austen, Gaskell parece ter uma escrita mais séria do que espirituosa. Em ambos o livro e a série da BBC, sua seriedade abrangente pode ser apreciada quase mais do que o estilo de escrita com um tom de gozação humorado por causa da profundidade que ela traz a sua história.
Além da seriedade e do olho para a estrutura social incluída na história, a profundidade dos personagens em Norte e Sul é incomum. Eu tenho lido muitos livros escritos nos séculos XVIII e XIX e muitos deles tendem a fazer com que o leitor assuma que os personagens nos romances têm ao menos uma fé cristã e freqüentam a igreja, incluindo temas morais, no entanto, este romance estabelece um novo padrão para inclusão flagrante do Cristianismo. Isto não aparece tão claramente na série, mas está de alguma forma presente. No livro, Gaskell fornece detalhes sobre orações, fé, as dificuldades e diferenças de opiniões que membros do primeiro clero encaram, e um forte senso de consciência sobre os erros dos outros; o prazer do correto está claro ao longo do livro. Isto é algo que deixa você conhecer muito mais o funcionamento mais profundo de cada personagem do que a maioria dos romances do século XIX.
Os personagens de Gaskell são loucos e cheios de defeitos, mas também tem o desejo forte de fazer o bem. Orgulho e preconceitos não estão presentes somente nas obras de Austen, mas com um novo e talvez mais significativo potencial. Os personagens de Gaskell possuem uma força gentil e determinação que de alguma forma parece incomum. Eles servem não só como inspiração para a imaginação do leitor, mas também para mover seu coração. Eles parecem desfiar sua integridade, como um amigo confiável, ou oferecer conselhos que consideram íntegros acima das circunstâncias. Ou talvez eu seja a única que nutra amizade com personagens ficcionais do século XIX.

17 de out de 2012

Crepúsculo de Stephenie Meyer – DL 2012


Tema: Graphic novel
Mês: Outubro de 2012 (Livros 3 e 4)
Leitura do mês: Crepúsculo (vol.1 e 2)
Autoras: Stephenie Meyer, Young Kim
Editora Intrínseca, 224 p./ 232 p.

Primorosamente ilustrado por Young Kim e com a atenta revisão de Stephenie Meyer, Crepúsculo: Graphic Novel é uma adaptação com qualidade rara: consegue mostrar a visão que a própria autora tem de sua obra original em um ambiente que, para ela, é inteiramente novo - as imagens. A história acompanha Isabella Swan, que, ao se mudar para a melancólica cidade de Forks e conhecer o misterioso e atraente Edward Cullen, vê sua vida dar uma guinada emocionante e assustadora. Com olhos dourados, voz hipnótica e dons sobrenaturais, Edward é ao mesmo tempo irresistível e impenetrável. Até então ele vinha conseguindo ocultar sua verdadeira identidade, mas, diante de Bella, terá de reavaliar suas convicções. (Sinopses: Skoob Volume 1 e Volume 2)

Mesmo não sendo fã da história, valeu a lida, por vários motivos: mesmo os desenhos tenham um tom sombrio e sejam totalmente diferentes dos dois primeiros livros que li para essa categoria do Desafio (pois neles as cores estão presentes em abundância). Os desenhos devem acompanhar a história, e Forks é uma cidade chuvosa, então está tudo bem. O que eu mais gostei mesmo foi outra “representação” para Edward Cullen, um personagem que me tirou do sério (no péssimo sentido) enquanto lia a série de Meyer (é, eu li). Queria muito dar outra cara para esse personagem para só assim desvinculá-lo de Robert Pattinson (ator do qual eu sou fã). Um livro legal de ler.

O Hobbit de J.R.R. Tolkien – DL 2012



Tema: Graphic novel
Mês: Outubro de 2012 (Livro 2)
Leitura do mês: O Hobbit
Autores: J.R.R. Tolkien, Charles Dixon, David Wenzel
Editora Devir, 140 p.

Baseada na obra do escritor J. R. R. Tolkien, a HQ conta a história de Bilbo Bolseiro, um Hobbit pacato e satisfeito cuja vida vira de cabeça para baixo quando ele se junta ao mago Gandalf e a treze anões em sua jornada para reaver um tesouro roubado. Esta versão em quadrinhos foi condensada por Charles Dixon e ilustrada por David Wenzel. (Sinopse: Skoob)

Eu sempre quis ler O Hobbit ilustrado, e quando soube da existência deste livro, corri atrás. É a mesma história que Tolkien narra em seu primeiro livro publicado (o qual esse ano completou 75 anos de aniversário de publicação), com a diferença de que o leitor (que já leu o livro) nota a ausência daquela linguagem rebuscada utilizada por Tolkien. Utilizando uma linguagem um pouco mais acessível e com uma narrativa leve, vemos a aventura de Bilbo Bolseiro tomar vida nas páginas deste livro. A ilustração mais impressionante, claro, é de Smaug, deitado sobre o tesouro dos anões. Um livro muito indicado a qualquer um, fã ou não do mestre.

Pride and Prejudice de Jane Austen – DL 2012


Tema: Graphic novel
Mês: Outubro de 2012 (Livro 1)
Leitura do mês: Pride and Prejudice
Autoras: Jane Austen, Nancy Butler
Editora Marvel Books, 120 p.

It is a truth universally acknowledged, that a single man in possession of a good fortune must be in want of a wife... Tailored from the adored Jane Austen classic, Marvel Comics is proud to present Pride & Prejudice! Two-time Rita Award-Winner Nancy Butler and fan-favorite Hugo Petras faithfully adapt the whimsical tale of Lizzy Bennet and her loveable-if-eccentric family, as they navigate through tricky British social circles. Will Lizzy's father manage to marry off her five daughters, despite his wife's incessant nagging? And will Lizzy's beautiful sister Jane marry the handsome, wealthy Mr. Bingley, or will his brooding friend Mr. Darcy stand between their happiness. (Sinopse: Skoob)

Para quem conhece o romance mais famoso de Jane Austen, essa graphic novel (dividida em cinco volumes), pode ser uma nova versão de Orgulho e Preconceito, não só pelas imagens, mas por manter o mesmo tom do romance original. E para quem não conhece, é uma ótima chance de se apaixonar por Darcy e Lizzie e experimentar o que só a leitura de um romance de Jane Austen é capaz. Apesar de não ser fã da Marvel e seus quadrinhos, gostei das ilustrações, pois mesmo não retratando alguns personagens como eu sempre imaginei, também não fogem muito a regra.

8 de out de 2012

Magical doorways (Costume Chronicles – C.S. Lewis Especial)

O último artigo que traduzi da webzine Costume Chronicles. Essa edição foi totalmente dedicada a C.S. Lewis, publicada em 2011.

Portais mágicos (Magical doorways)
Autora (Author): Christine Fitzner.

Tocas de coelho, guarda-roupas, tornados... apenas três das maneiras que as crianças de suas respectivas histórias são transportadas de suas vidas mundanas para mundos mágicos e paralelos. Nosso fascínio por outras terras e os “guarda-roupas” para alcançá-los está espalhado em toda a literatura. Da mitologia antiga, quando as outras dimensões eram vistas como partes físicas da terra (o submundo, os deuses do Olimpo) a fantasia moderna, não há como negar que este é um tema que tem grande apelo para nós. 
Meu próprio fascínio começou, como eu suspeito que para muitos na infância, com O Mágico de Oz, embora eu não recomende que alguém tente o método de transporte de Dorothy para chegar a Oz! O filme de televisão de 1985 Alice in Wonderland / Through the Looking Glass também ocupa um lugar fixo em minhas memórias e, possivelmente, é a raiz da minha fixação em espelhos-como-portais. A partir destas primeiras influências, eu me coloquei atrás de espelhos antigos, procurei por casas de gnomos nas árvores, e fique atenta para ver coelhos brancos em coletes. 
Brincar de fingir não é incomum, como a maioria das crianças faz, mas muitas vezes eu me pergunto quando elas crescem, se elas algum dia ultrapassam essa fase. Passei a maior parte da minha infância procurando portas secretas, salas e corredores na casa da minha avó, empurrando armários cheios de roupa, convencida de que havia algo maravilhoso e misterioso na parte de trás. Mesmo na adolescência eu fingia (somente na minha cabeça) que era uma noviça em Avalon por trás das névoas ou que eu vivia na The Paris Opera House de Gaston Laroux. Sendo tímida e socialmente desajeitada, essas fantasias normalmente envolviam um lugar para me esconder dos meus pares e ser notada pelos outros como alguém especial (algo que minha personalidade acanhada não me deixaria expressar na vida real). 
Deparei-me com Nárnia muito mais tarde, não tendo sido introduzido ao gênero de fantasia fora dos filmes até minha adolescência. Talvez me falte o amor e respeito para com este universo que eu poderia ter tido se o tivesse conhecido quando criança; no entanto, ele ainda atingiu em mim a vontade e o desejo de encontrar um mundo secreto. Como eu assisti ao filme de ação, encontrei-me incrivelmente com inveja de Lucy Pevensie quando ela tropeçou na parte de trás do armário para a Nárnia cheia de neve. Não tenho certeza se teria gostado de encontrar a Feiticeira Branca ou lutar uma batalha contra ela, mas a descoberta é certamente atraente. 
Como as décadas seguem e o mundo habitual torna-se mais científico e tecnológico, há menos espaço para a admiração. Enquanto há muitas coisas que não podemos explicar, ainda assim, há muito que podemos explicar. O espaço para a descoberta está encolhendo, aparentemente relegado para estudiosos e cientistas. A magia do mundo está desaparecendo. Precisamos dessas histórias em nossa consciência coletiva, precisamos de C.S. Lewis para nos mostrar o caminho para a magia escondida, porque um mundo desprovido de magia é um lugar realmente sombrio. O desejo de fugir, de ser transportados para Nárnia, Oz, ou mesmo para o país das Maravilhas é tão arraigado em nossa cultura que não parece justo que não exista um guarda-roupa mágico esperando em algum lugar para cada um de nós. 
Ou será que existe?