28 de abr de 2011

Harry Potter: A magia do cinema



Um guia completo do making of dos sete filmes da melhor saga de fantasia desde O Senhor dos Anéis, com prefácio dos atores principais Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson e introdução de David Heyman.
O livro mostra imagens e relatos dé atores, diretores e produção, além de esboços dos lugares, criaturas e objetos de todos os filmes. Também contêm 13 brindes, pequenos objetos como o Mapa do Maroto, convite pro Baile de Inverno e outros. Adorei.

Sangue de Tinta - Cornelia Funke



Título: Sangue de tinta
Autora: Cornelia Funke
Editora Cia. das Letras, 560 p.

Sangue de tinta é a continuação de Coração de Tinta.
Os personagens principais do livro anterior retornam ao Mundo de Tinta. Se o primeiro livro foi bom, esse é melhor, apesar de diminuir o ritmo um pouco. Dedo Empoeirado é o único a realmente estar feliz em voltar ao mundo criado por Fenoglio, mas Farid ficou para trás. Quando ele pede a ajuda de Meggie para seguir Dedo Empoeirado, a garota decide ir com ele para finalmente conhecer um mundo que ela só conheceu lendo o livro. Mas as coisas não acontecem como eles previram. Após sua partida, Mortola, Basta e um capanga aparecem em busca da família de Mo para acertar as contas com aquele que matou Capricórnio. Ela consegue levar para o mundo de Coração de Tinta Mo e Resa, mas Elinor fica. Lá, Mortola atira em Mo, que fica entre a vida e a morte. É a partir daí que vamos conhecer o Mundo de Tinta, o mundo que Fenoglio escreveu e se tornou o livro Coração de Tinta. O romance entre Meggie e Farid se torna evidente, apesar de eu nem suspeitar ao ler o primeiro livro; descobre-se a vida que Fenoglio está levando desde que foi transportado para dentro do seu próprio livro. Além disso, conhecemos outros personagens, alguns bons, outros nem tanto. Outro vilão surge, mais cruel e asqueroso que Capricórnio.
O livro é ótimo. Já comecei o último livro da trilogia e mal posso esperar para ver o desfecho dessa história e principalmente como vai ficar a história de Coração de Tinta após tanta interferência de um mundo exterior.

Os Contos dos Irmãos Grimm


Título: Os contos dos irmãos Grimm
Autora: Clarissa Pinkola Estes
Editora Rocco, 315 p.

A curiosidade sobre esses livros surgiu com Tolkien e sua discussão sobre conto de fadas (esse autor é realmente inspirador!). Eu já havia lido algo antes sobre os irmãos Grimm também, e sempre quis achar uma edição que valesse a pena sobre os contos que eles reuniram e compilaram.
Essa edição vale muuuito a pena. Apesar de achar que não contém todos os contos reunidos por eles, os 54 contos mostram uma versão mais adulta e um tanto curiosa de histórias que nós conhecemos quando crianças através daqueles livrinhos super coloridos, com encadernação capa dura, tão bonitos que dá até pena de tocar.
As ilustrações são bonitas. Não entendo nada de desenhos, mas eu gostei porque é mais um diferencial: todos em preto e branco, sem aquela efusão de cores características de livros de contos.
O prefácio de Clarissa Pinkola Estés também faz diferença. Ela explica e discute o conceito de contos de fadas, fala da sabedoria que encontramos nas histórias e fala sobre a questão da imaginação.
Muito indicado.

20 de abr de 2011

A Faca Sutil de Philip Pullman – DL 2011



Tema: Ficção Científica

Mês: Abril de 2011 (Livro II)

Título: A Faca Sutil

Autor do livro: Philip Pullman

Editora: Objetiva

Nº de páginas: 359

Sinopse: Will tem 12 anos e acabou de matar um homem. Agora está fugindo, decidido a descobrir a verdade, sobre o pai que jamais conheceu. Sem querer, atravessa uma janela que dá para um outro mundo - onde espectros devoradores de almas assombram as ruas de uma cidade e uma estranha menina chamada Lyra está à procura do Pó. As buscas em que Will e Lyra estão empenhados têm uma ligação misteriosa e, juntos, os dois precisam procurar um objeto poderoso e secreto. Só que pessoas de mundos diferentes matariam para possuí-lo.

Quando vi a capa do livro, o que mais chamou a minha atenção foi… o gato, porque faz referência aos gatos que ou são personagens principais ou desempenham um papel muito importante na história (como Pantalaimon, que não é propriamente um gato, mas assume essa forma com muita freqüência, ou a gatinha que leva Will para outro mundo e depois o ajuda). E também mostra bacana a fissura entre os mundos e um menino, com certeza Will. Antes de ler, eu me perguntava a relação entre o título e o desenho da capa. Faz total sentido.

Eu escolhi este livro porque… é continuação do outro, claro. Mas mesmo que não fosse, mesmo que fosse um história separada, só por ser um livro de Philip Pullman já valeria a pena.

A leitura foi… intensa também, até porque como era continuação, queria muito saber onde Lyra foi parar. O engraçado é que o livro começa de um jeito totalmente diferente, tipo, não é como se o leitor acompanhasse Lyra nessa sua “viagem”, ela só aparece muito depois. A história começa mostrando outro protagonista da trilogia e o protagonista d’A Faca Sutil: Will Parry. Ele é de outro mundo, de uma Oxford diferente da de Lyra, que a primeira vista pensei que era a Oxford atual, mas não é. Acho que esse negócio de vários mundos é assim: você tem um lugar que tem um nome só, como Oxford, onde dentro dele existem vários mundos, Ou dimensões paralelas. As coisas acontecem dentro da Oxford de Will e de Lyra, sem que ambas dimensões tomem consciência da existência da outra, mas essas dimensões estão lá no mesmo lugar. E é isso que Will e Lyra descobrem, ao passarem para mundos diferentes. Claro que o livro mostra Oxfords diferentes e outros mundos também diferentes. Passagens ou aberturas entre esses mundos sempre existiram, e Will, como novo portador da faca sutil (segundo objeto mais importante depois do aletiômetro), precisa aprender a lidar com elas. Ah! Quase esqueço: depois que você lê e entende mais sobre o Pó, somado as referências ao pecado primordial e a Eva (principalmente ela), sua mente voa porque começa a aparecer uma amizade que pode se encaminhar para algo além (por favor, Deus, que isso aconteça no último livro, tanta desgraça merece um final bacana) entre Will e Lyra. Então, com todas essas referências teológicas e sabendo mais ou menos o papel que Lyra vai desempenhar na história (pelo menos é o que dizem, ainda não terminei o terceiro livro), é até engraçado pensar nesse interesse entre esses dois, que estão naquela fase de transição entre o infantil (meninas odeiam meninos e vice-versa) e a juventude (quando hormônios começam a ser mais atuantes). Quando o Publishers Weekly avaliou o livro, escreveu: “O segundo volume da trilogia Fronteiras do Universo começa em um ritmo frenético e jamais desacelera.” Não podia ser uma avaliação mais acertada.

O personagem que eu gostaria de ter ajudado (sempre ajudado, porque a situação é tão crítica que você só pode querer ajudar) é o Lee Scoresby Por quê? Por quê é um personagem do lado do bem, e diferentemente dos verdadeiros (e loucos) pais de Lyra, ele realmente se importava com ela. Fiquei chocada com o seu destino, chorei, odiei Pullman como odiei Rowling (uma coisa passageira, claro) e ainda não me conformo.

O trecho do livro que merece destaque: todo o livro. Todinho.

A nota que eu dou para o livro: 5 (de novo, 1000!!!!!! Temos que aumentar essa pontuação, Vivi. A nota “5”, mesmo sendo a mais alta, não faz jus a nota máxima que muitos livros merecem.)

A Bússola de Ouro de Philip Pullman – DL 2011



Tema: Ficção Científica

Mês: Abril de 2011 (Livro I)

Título: A Bússola de Ouro

Autor do livro: Philip Pullman

Editora: Objetiva

Nº de páginas: 429

Sinopse: Quando Roger, amigo de Lyra, desaparece, ela e seu daemon, Pantalaimon, resolvem procurá-lo. Viajam para os reinos frios do Norte, onde urso de armadura e bruxas-rainhas voam pelos céus congelados. Lyra possui um aparelho que auxiliará na missão - caso ela consiga decifrar suas mensagens misteriosas. Mas o equipamento contém segredos assustadores sobre a viagem e os perigos que os esperam em mundos distantes.

Quando vi a capa do livro, o que mais chamou a minha atenção foi… acho que o urso. Apesar de ter a ver com a história, acho que podia ser outro animal, porque as cenas em que o urso aparece são importantes, mas não o vejo como principal personagem do todo.

Eu escolhi este livro porque… eu queria ler há muito tempo, mas tinha medo de não gostar. Depois da saga Crepúsculo (que eu ainda não li o último livro, mas li a tradução na internet e ODIEI o final, só comprei o livro pra completar a coleção) e de Percy Jackson (que teve o filme estragado, por isso me deu medo de comprar a coleção e não gostar), estou meio traumatizada com sagas. Mas esse livro totalmente valeu a leitura.

A leitura foi… ÓTIMA. Eu AMEI esse livro, AMEI essa história. Na minha lista de coleções, essa, Fronteiras do Universo, está em quarto lugar, só perdendo para a trilogia O Senhor dos Anéis (óbvio, primeiríssimo lugar), Harry Potter (segundo) e As Crônicas de Nárnia (terceiro).
Eu vi o filme quando lançaram em 2007, e sempre fico meio assim quando vejo a adaptação antes de ler o livro, porque depois eu fico tentando me lembrar quais partes cortaram no cinema e eu não consigo mais imaginar os personagens, eles passam a ser como os atores que eu vi no cinema. Também consegui entender o que era o Pó, coisa que eu voei no filme. Essa adaptação é um exemplo de como se pode “estragar” (apesar de não ser exatamente essa palavra) uma saga que teria tudo para ser um enorme sucesso no cinema. O pior de tudo é que eu nem sei como eles conseguiram fazer isso, porque a Nicole Kidman estava PERFEITA como Sra. Coulter (eu nunca tinha visto ela fazer papel de vilã e adorei), Daniel Craig estava magnífico como Lorde Asriel, Dakota Blue Richards estava legal mesmo sendo iniciante. O filme também ganhou nomes de peso como Ian McKellen dando voz ao urso Iorek (que eu pensava que era a voz do Liam Neeson), além de Christopher Lee e outros grandes nomes. Os efeitos usados para criar os dimons, a Aurora Boreal e tudo isso foram perfeitos. Pantalaimon era uma gracinha, Stelmaria (dimon de Lorde Asriel) e o macaco dourado (um mico-leão dourado, pra ser mais exata, dimon da Sra. Coulter) também perfeitos. Então realmente não entendo porque eles infantilizaram a trilogia, por que as críticas feitas a Igreja, que são o ponto alto da história, desaparecem. Mas vamos ao livro.
Emocionante. Prende a atenção do leitor desde o início. A história começa em Oxford, mas uma Oxford de outro mundo, que eu, particularmente, adoraria conhecer. A narrativa começa devagar, mas já com um “quê” de mistério, mencionando o Pó. No decorrer do livro, o leitor percebe que Lyra também tem um papel muito importante, tipo “a criança prometida ou esperada” ou algo assim. Como Nárnia, é uma obra cercada de motivos e temas cristãos, e o que eu mais gostei é que, diferente de Nárnia mais sutil (apesar de Aslan ser claramente uma alusão a Deus e Cristo e às vezes mostrar isso logo de cara), Fronteiras do Universo (falo da trilogia apesar de ainda não ter lido o último livro) faz uma alusão a algo mais bacana: a guerra de um anjo (conhecido depois como Lúcifer) contra Deus e sua queda. Eu li por alto e estudei um pouco do poema de Milton (Paraíso Perdido), que fala exatamente dessa guerra. É algo parecido o que querem fazer nessa trilogia, mas ao invés de anjos, é um simples humano que quer matar a Autoridade, como chamam Deus no livro. Acho que é por isso que eu gostei tanto dessa história, me lembrou demais O Silmarillion (estudei Milton tentando identificar sua influência na queda de Melkor, o primeiro Senhor do Escuro da mitologia tolkeniana). É uma história que, como eu disse, prende a atenção do início ao fim. Também emociona. Chorei absurdamente em duas partes: primeira, quando Lyra descobre o que é a interseção, o que acontece com as crianças e os dimons que são separados, e segunda, no final, quando aquilo (que eu não vou dizer o que é) acontece com Roger. Odiei Lorde Asriel por isso. E aconteceu o mesmo que quando eu lia a morte do Cedrico Diggory em Harry Potter e o Cálice de Fogo, a morte do Sirius em Ordem da Fênix, a morte de Dumbledore em Príncipe Mestiço e em TODO o Relíquias da Morte: tive que voltar e ler de novo porque não acreditava que aquilo tinha acontecido.

O personagem que eu gostaria de ter ajudado foram todas as crianças que sofreram a interseção. Por quê? Obviamente porquê era uma interseção, uma castração. Como o dimon é a alma da pessoa, que adquire qualquer forma animal até a pessoa se tornar adulta quando o dimon ganha uma forma definitiva. Como uma castração, é um processo doloroso e até impensável, apesar de ser praticado. Mostram como fica uma criança que passa por isso (ela não vive muito) e os pobres dos dimons também. Triste, triste, triste.

O trecho do livro que merece destaque: Todo o livro, sem exceção, merece destaque.

A nota que eu dou para o livro: 5 (Queria dar 1000!!!!)

Philip Pullman


A menina Lyra da Língua Mágica e seu dimon, Pantalaimon, vivem muitas aventuras na trilogia Fronteiras do Universo. Na busca por um amigo desaparecido, ela descpbre mais sobre sua própria história e aprende a usar o aletiomêtro. Ela conhece Will Parry, um menino que saiu (sem querer) de seu mundo e foi parar em outro. Eles se tornam amigos e vivem outras aventuras em busca da faca sutil, um objeto que permite abrir passagens entre mundos paralelos. A amizade entre Lyra e Will se fortalece e eles se apaixonam. Quando Lyra desaparece, Will parte em sua busca, mas não é o único. A Igreja também quer encontrá-la, assim como Lorde Asriel, cada um deles com propósitos diferentes. A Igreja quer destruir a nova Eva, enquanto Asriel quer sua ajuda na guerra que está sendo travada contra Deus. Ao longo da história, o leitor conhece mais sobre o Pó e sua ligação entre ele, os humanos (quando crianças e quando adultos) e os dimons.


Quase 40 anos depois do último livro de Lewis sobre Nárnia ser lançado, Philip Pullman, com sua trilogia Fronteiras do Universo, rompe a orientação moral e religiosa estabelecida pelos livros de C.S. Lewis. Uma história dividida em três livros, repleta de ação, magia e personagens complexos que evoluem ao longo de suas experiências. Ciência, religião, bruxas boas escassamente vestidas, religiosos perversos, crianças mal comportadas que se transformam em heroínas, espectros, anjos rebeldes, mundos alternantes e toda sorte de criaturas estão envolvidos numa guerra que pode desmantelar a Criação e derrotar o próprio Deus. Uma das melhores trilogias que eu já li. A trilogia As Fronteiras do Universo fala do momento da Criação, do pecado original e do anjo decaído de uma forma muito clara. Particularmente, adoro cosmologias e cosmogonias. Um dos meus livros favoritos é O Silmarillion, que faz muitas referências ao livro do Gênesis e ao poema O Paraíso Perdido (para quem não sabe, o poema de John Milton fala da queda do principal anjo de Deus, depois conhecido como Satã, e da corrupção de Adão e Eva e sua expulsão do Paraíso). Longe de mostrar que é preciso de intercessores entre o homem e Deus para se resgatar o paraíso perdido por Adão e Eva, a trilogia de Philip Pullman retrata o que seria a ação final do homem para ter o direito de pisar nos jardins do Éden novamente.